“A maior parte dos meus trabalhos nunca foi publicada; algumas coisas que eu fiz somente foram desenvolvidas em parte, outras sofreram profundas modificações ou foram destruídas. Era de se esperar. Uma proposta arquitetônica cujo objetivo é ir fundo […] uma proposta que tem a intenção de ser mais do que uma materialização passiva, que se recusa a reduzir essa mesma realidade, que analisa cada um de seus aspectos meticulosamente, uma proposta dessa ordem não pode encontrar respaldo em uma imagem fixa, nõa pode seguir uma evolução linear […] Cada projeto deve captar com o máximo rigor um momento preciso da imagem passageira, em todas as suas nuanças, e, quanto mais exatamente se reconhece essa qualidade passageira da realidade, mais claro será o seu desenho […] Esta talvez seja a razão pela qual somente obras marginais (uma habitação tranqüila, uma casa de fim de semana em um lugar distante) conservaram-se da maneira como foram originalmente projetadas. Mas algo se mantém. Guarda-se uma peça aqui, outra ali, dentro de nós, talvez perfilhada por alguém, deixando marcas no espaço e nas pessoas, fundindo-se em um processo de transformação total.”
Álvaro Siza Vieira, 1979.
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